Estudos e dados oficiais mostram que os impactos do fogo vão além da vegetação, atingindo a saúde da população, a produção rural, o solo e os serviços públicos.
O período de estiagem exige atenção redobrada dos municípios. Com a redução das chuvas, baixa umidade do ar e vegetação mais seca, aumentam as condições favoráveis à propagação de incêndios, especialmente em regiões com forte presença de atividades agrícolas.
Diante desse cenário, o CONSISP – Consórcio Intermunicipal de Soluções Integradas de Serviços Públicos reforça a importância do planejamento preventivo, da conscientização da população e da integração entre os municípios para reduzir os impactos provocados pelo fogo.
Dados recentes reforçam o alerta
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) registrou 5.209 focos de fogo ativo no Brasil somente em junho de 2026. No mesmo mês, o sistema identificou 14.693 eventos de fogo, em um período que marca o início da intensificação da temporada de incêndios em grande parte do país.
Os números devem ser observados dentro de uma perspectiva histórica. O mais recente Relatório Anual do Fogo, divulgado pelo MapBiomas em julho de 2026, mostra que 12,7 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo no Brasil em 2025. Embora o número tenha representado redução em relação ao ano anterior, a série histórica revela que 64% das áreas queimadas no país desde 1985 já foram atingidas pelo fogo mais de uma vez.
Em São Paulo, ações preventivas também demonstraram resultados importantes: durante o período crítico de junho a outubro de 2025, houve redução de 91% da área queimada em unidades de conservação e queda de 50% no número de focos, na comparação com 2024. Os dados reforçam que prevenção, monitoramento e capacidade de resposta podem produzir resultados concretos.
O impacto também chega à economia
Os incêndios não representam apenas um problema ambiental. Em 2024, um dos períodos mais críticos enfrentados recentemente pelo Estado, levantamento da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo estimou prejuízos superiores a R$ 1 bilhão ao agronegócio paulista, com impactos sobre pecuária, cana-de-açúcar, fruticultura, heveicultura e apicultura.
Dados levantados pela CATI naquele período indicaram milhares de propriedades rurais afetadas em dezenas de municípios paulistas, evidenciando como um incêndio pode comprometer produção, pastagens, animais, equipamentos e infraestrutura rural.
Para uma região com forte participação da agricultura na economia municipal, a prevenção ao fogo também significa proteção da atividade econômica, dos empregos e da renda das famílias.
Fogo compromete a qualidade do solo
A Embrapa alerta que incêndios de grandes proporções provocam alterações nas propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. Durante a combustão podem ocorrer perdas de nutrientes importantes, como carbono, nitrogênio, potássio e enxofre, afetando a qualidade do solo e podendo aumentar os custos futuros de produção.
Um estudo acadêmico publicado em 2025 com foco justamente no Noroeste Paulista e em São José do Rio Preto também apontou impactos relacionados à degradação do solo, à saúde pública e à atividade econômica, reforçando a necessidade de políticas preventivas e sistemas de monitoramento na região.
Fumaça é também uma questão de saúde pública
Outro efeito muitas vezes percebido somente quando o incêndio já atingiu grandes proporções é a deterioração da qualidade do ar.
O Ministério da Saúde explica que a fumaça das queimadas contém partículas muito pequenas, entre elas o chamado material particulado fino MP2,5, capaz de penetrar profundamente no sistema respiratório. A exposição pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares e aumentar a demanda por atendimentos e hospitalizações, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes.
Em julho de 2026, o Ministério passou a divulgar semanalmente informações específicas sobre incêndios florestais, qualidade do ar e população potencialmente exposta à fumaça, justamente para auxiliar estados e municípios na organização das ações de vigilância e resposta do SUS.
Noroeste Paulista também está inserido no planejamento estadual
A região de São José do Rio Preto (I-8) está contemplada no Plano de Contingência para o Período de Estiagem – São Paulo Sem Fogo 2026, da Defesa Civil do Estado.
Neste ano, São José do Rio Preto também recebeu treinamento regional do SP Sem Fogo 2026, realizado nos dias 1º e 2 de junho, com o objetivo de capacitar municípios e órgãos parceiros para prevenção e resposta aos incêndios em cobertura vegetal e formação de brigadas municipais.
Integração regional faz diferença
Para o CONSISP, os estudos e experiências recentes demonstram que o enfrentamento aos incêndios não deve começar quando as chamas aparecem.
Planejamento, capacitação, monitoramento, comunicação preventiva e integração entre municípios são instrumentos capazes de reduzir prejuízos e ampliar a capacidade de resposta das administrações públicas.
Incêndios não respeitam limites territoriais. Uma ocorrência iniciada em uma propriedade ou município pode atingir áreas vizinhas, comprometer estradas, redes de energia, propriedades rurais, vegetação, qualidade do ar e demandar estruturas de saúde e emergência de toda uma região.
Por isso, fortalecer a cooperação regional também significa trabalhar para construir municípios mais preparados, seguros e resilientes.
CONSISP – União entre municípios para transformar planejamento em resultados.